Glicério – Projeto propõe remodelação

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Após quase nove meses de planejamento, a Prefeitura de Campinas trabalha nos últimos detalhes do projeto de revitalização da Avenida Francisco Glicério, que deve ser apresentado no dia 6 de agosto. Nesta semana, os secretários de Desenvolvimento Econômico, Social e Turismo, Samuel Rossilho, e de Cultura, Ney Carrasco, se reuniram com o prefeito Jonas Donizette (PSB) para alinhar a concepção da “nova cara” da avenida. A Prefeitura, porém, não fala em prazos. Mas há expectativa de que as obras comecem ainda este ano.

O Correio conversou com integrantes da comissão especial que discute o processo que pretende transformar o Centro, e eles adiantaram algumas intervenções que serão colocadas em prática. As obras serão feitas no trecho entre a Orosimbo Maia e a Aquidabã, e devem começar pelo aterramento dos fios da rede de energia elétrica. A Administração municipal realizou encontros com técnicos da CPFL e aguarda a conclusão de um estudo que irá mostrar prazos de execução da obra e custos, informou o secretário de Comunicação, Guilherme Fabrini.

Uma das maiores mudanças será na ampliação do calçamento em um dos lados da avenida, que ganhará aproximadamente dois metros de largura, fazendo com que a via perca uma de suas faixas para veículos. A proposta é ampliar a mobilidade dos pedestres e livrar o passeio público de obstáculos. Uma banca de jornais na calçada, por exemplo, atrapalha a circulação de pedestres. Gradativamente, os pontos comerciais regularmente instalados serão realocados neste novo espaço.

A Prefeitura ainda não revela custos da obra, mas garante que há empresas interessadas em financiar parte da revitalização, por meio de parcerias, o que possibilitaria maior agilidade na conclusão da revitalização. Portanto, a Administração não descarta investir dinheiro público na avenida, o que levaria mais tempo de trabalho, em virtude da necessidade de processos licitatórios.

“Estamos alinhando todos os detalhes, que serão apresentados à sociedade em agosto. Estamos fazendo tudo com cautela, para que a revitalização seja feita e as obras não prejudiquem os comerciantes”, disse Fabrini.

Uma das preocupações da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) é justamente com a data das obras, que não podem atrapalhar, por exemplo, as vendas de fim de ano, época mais lucrativa para o comércio.

historia-glicérioLongo caminho

As alterações da avenida são apenas o primeiro passo de uma série de ações que serão colocadas em prática em toda a região central. Os imóveis de importância histórica, como a Estação Cultura e a Catedral Metropolitana, vão contar com um sistema de iluminação permanente, similar ao adotado na época do Natal. A proposta é tornar os prédios tombados atrações turísticas. Haverá normatização para as atividades empresariais desenvolvidas no Centro.

A empresa que não se enquadrar nas novas regras terá apoio e tempo hábil para se transferir, com o fim do alvará de funcionamento. As praças terão programação cultural intensa para atrair o público. E toda a área do complexo ferroviário (entre o Viaduto Cury e a estação rodoviária) vai se transformar em espaço público de lazer. A proposta é instalar centros culturais mantidos pela iniciativa privada dentro dos galpões e barracões, hoje abandonados e decadentes.

A área terá restaurantes, parque de diversões e pistas de caminhada. A gleba deixará de abrigar garagens e depósitos. O proprietário de imóveis tombados terá, efetivamente, isenção tributária para manter os imóveis bem conservados. E a legislação sobre o tema será adequada para permitir intervenções arquitetônicas que não comprometam o conjunto.

O secretário de Cultura, coordenador das reuniões da comissão especial para revitalização do Centro, afirmou esta semana que o projeto “está bem avançado”. “A comissão tentou concentrar várias iniciativas e trabalha em duas grandes frentes: uma de médio e longo prazo, que é estabelecer diretrizes, com normatização que permita balizar as intervenções do Centro para que ocorra, ao longo dos anos, de forma organizada e dentro dos princípios urbanísticos”, afirmou Carrasco.

A curto prazo, explicou, refere-se à revitalização da Avenida Francisco Glicério, que passaria a ser um modelo para as demais áreas do Centro. “Faremos a revitalização que julgamos ideal. Uma espécie de projeto-piloto que mostra como gostaríamos que fosse o todo, que não vai se esgotar nessa gestão, é um trabalho para muitos anos.”

Plano voltou à pauta no ano passado

A proposta de reurbanizar a Francisco Glicério voltou à pauta em outubro do ano passado, após o projeto ter sido cogitado pelas quatro últimas administrações municipais. O atual secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Samuel Rossilho, disse, naquele mês, que a intenção era tornar a Glicério a “Avenida Paulista” de Campinas. Criou-se, então, uma comissão especial para revitalização do Centro, com representantes de todas as secretarias da Prefeitura, coordenada pelo secretário de Cultura, Ney Carrasco.

O planejamento das mudanças foi feito de forma integrada. Cada secretaria participante fez um levantamento detalhado sobre a legislação em vigor em cada segmento, e sugeria novos textos. O projeto final tem data de apresentação prevista para 6 de agosto, quando serão anunciados os custos e prazos de toda a obra.

felipe-tonon

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