A semente do civismo

A semente do civismo

Disputei a eleição deste ano e o povo campineiro concedeu-me mais um mandato. Além da honra de ter a confiança de milhares de eleitores, trago bem enraizada no meu coração a certeza de que a nossa cidade quer avançar.  Principalmente numa das questões que mais infelicitam os brasileiros: a educação.

Tive oportunidade de conversar amiúde com muita gente, nos últimos meses, e invariavelmente essa indignação era externada. Muitas vezes na forma de crítica objetiva ao fraco desempenho intelectual dos brasileiros em provas internacionais de avaliação. Embora esse tema também me incomode, o que mais me entristeceu, entretanto, foi a unanimidade em apontar a “falta de educação cívica” como a causa maior de todos os males por que passam os brasileiros. Uso essa expressão entre aspas, porque a considero uma síntese de tantas outras variáveis diretamente relacionadas a ela, tais como: corrupção generalizada, descaso com a coisa pública, caixa 2 em campanhas eleitorais, mentiras públicas, contratos fraudados, desvio de dinheiro público para interesses particulares etc.

Diante de tão cruel constatação, por diversas vezes já me fiz a pergunta que tantos já se fizeram: como mudar isso tudo? Logicamente a resposta não repousa em uma única verdade, mas passa necessariamente pela política e pela educação. Na política temos que entender definitivamente que todos precisam participar. Não somente votando, mas acompanhando os passos de seus eleitos, fiscalizando a ação dos poderes públicos, cobrando o estrito cumprimento da lei em tudo que disser respeito ao coletivo, apontando e defendendo alternativas etc.

Lindo…maravilhoso, não? Pois é, essa é a sociedade dos nossos sonhos, mas onde estão os protagonistas desse “final feliz”? Infelizmente, na sua grande maioria, perdidos sem saber o que fazer. E por quê? Simplesmente porque falta-lhes uma educação de qualidade. Não somente para passar em vestibulares ou para aprender a fazer contas, ler e escrever. Falta-lhes uma educação que lhes possibilite conhecer melhor seus deveres e direitos; conhecer melhor como deveriam funcionar os poderes federais, estaduais e municipais; como deveriam ser aplicados os recursos públicos segundo a regras vigentes; enfim, falta-lhes o empoderamento através de conhecimentos básicos de cidadania. Falta-lhes educação sobre Leis e Governança.

Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Unicamp, e Adriana Ramos, pesquisadora do GEPEM-Unicamp (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral), citam em artigo publicado em Novembro de 2016, na novaescola.org.br: “Em geral, as escolas têm como objetivo formar pessoas éticas. Contudo, para promover essa aprendizagem é necessário haver um trabalho intencional de Educação Moral.” Elas acrescentam ainda que: “Essa estratégia está inserida em uma das três vias pelas quais o trabalho com Educação Moral deve ser feito na escola, segundo Josep Maria Puig Rovira, professor da Universidade de Barcelona e estudioso da área, que é a curricular, ou seja, com ações planejadas especificamente para essa aprendizagem.” As outras duas vias são: a dimensão pessoal, que é a postura dos educadores com os alunos; e a institucional, que são iniciativas da escola para promover a participação democrática.

Em Campinas, a semente dessas três vias já existe! O prefeito Jonas Donizette, através de sua equipe da Secretaria de Educação, implantou em algumas escolas municipais um projeto piloto com duas dessas vertentes: a) Mentoria em Protagonismo Juvenil, que também visa implantar os Grêmios Estudantis da Rede Municipal de Campinas e; b) Projeto Convivência Ética nas Escolas. Através da Secretaria de Assuntos Jurídicos e Procom implementou também um projeto piloto de levar ao conhecimento de todas as crianças das escolas municipais o Código de Defesa do  Consumidor de maneira criativa e lúdica. Todas essas iniciativas merecem nosso respeito e aplauso por serem, de fato, o primeiro passo para um grande salto de qualidade em nossa educação pública.

A terceira perna do tripé de suporte da Educação Moral está sendo elaborada na Câmara Municipal de Campinas. Tramita na casa o Projeto de Lei nº 81, de minha autoria, que torna obrigatório o ensino de “Leis e Governança” em todas as escolas da cidade. A matéria que propomos chama-se Educação Cívica e Políticas Públicas. Agora reeleito, não medirei esforços para ver aprovada essa ideia. Não necessariamente como ela está esboçada no Projeto de Lei, mas da forma que ela tomar depois de ouvir a opinião de professores, pais, alunos e, logicamente, setores organizados da sociedade.

Os sábios dizem que a crise é um momento de muita oportunidade. Quem sabe, num momento de vacas tão magras, nossas cabeças deixem de pensar que as soluções estão nas grandes obras de tijolo e concreto. Que precisamos fazer sempre mais e mais. Tomara que, já que a falta de dinheiro é um fato inevitável, ela nos leve a buscar as saídas mais inteligentes para nossos problemas sociais. A qualidade da educação é capaz de superar qualquer obstáculo, e um povo educado com princípios sólidos de civismo é capaz de construir uma sociedade mais justa e feliz.

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